«A» Bruto

Quarta-feira, Agosto 27, 2003

BOA VIAGEM

José Trigo Limpo acaba de tomar o pequeno almoço e prepara-se para se meter com a mulher e os filhos na sua Ford Transit e arrancar para umas merecidas férias em Albufeira do Alqueva. Na biblioteca local Internet é uma miragem - os aparelhos mais avançados tecnológicamente são o vídeo Schneider de duas cabeças mono (a precisar de limpeza) e a televisão Radiola, que há muito não funcionam pois todos já viram os documentários da BBC que a Câmara comprou em VHS. Como a escola secundária está fechada e ele não está para gastar dinheiro no único cibercafé da vila (esses monopolistas!), só no dia do seu regresso poderá continuar a ser espelho duma outra douta realidade. Até dia 16, então.
|| José 6:47 AM Brutidades:

Sábado, Agosto 23, 2003

NOTAS DELGADAS 4

A foto que hoje nos ilustra varia do modelo habitual por causa das notas sobre Delgado. É uma foto de Miguel Mágico, o ventríloquo, e de Fred, o coelhinho com falta de vista. Trata-se de uma analogia.
|| José 7:26 PM Brutidades:
MUNDO

|| José 7:21 PM Brutidades:
NOTAS DELGADAS 3 (COMEÇA NO 3, EU AVISEI DA DESORDEM...)

O toque Delgado foi encontrado para de um modo muito simples apregoar essa tristeza que é a política externa dos E.U.A., pequenas pistas sobre pequenas pistas interrompidas de forma desavergonhada pela última crónica "Caos no Iraque?", à qual nem os próprios americanos escapariam de adjectivar de biased. Não há em Delgado senão um só amor, uma só paixão, actos de servidão, nem há grandiloquência de qualquer espécie. Há uma voz que maximiza o alcance da mensagem pela simplicidade da escrita, que distorce os factos comunicando apenas os que interessem no momento, conseguindo perder pelo caminho a própria percepção da realidade e da dor dos outros. Delgado é um personagem que consegue reduzir o Iraque a Bagdad, e Bagdad, uma cidade de milhões, a uma cidade de milhares.

Esta falta de grandiloquência, propositada talvez, pretende fazer chegar a mais gente a força dos seus argumentos. Muito mais do que em qualquer outro cronista, há uma enorme necessidade pessoal de angariar fiéis para uma política que apoia, tendendo a, no momento certo, dizer seja o que fôr que ache poder ajudar a causa, sem qualquer tipo de sentimento de culpa pela arrogância moral. Estas "ajudas à causa" em Delgado são dilacerantes da ética, são pequenos actos diários que parecem inesgotáveis.
|| José 6:49 PM Brutidades:
SINDROMA DE ABSTINÊNCIA

Fazem-me falta as imagens dos incêndios, já gostava de me sentir tenso, alerta. As notícias sobre o Iraque não me bastam, é longe demais para me sentir da mesma maneira.
|| José 5:50 PM Brutidades:
NOTAS DELGADAS

Inicio aqui uma série de notas, observações, indicações sobre um dos meus ódios absolutos, Luis Delgado. Há os cronistas de quem se gosta, os cronistas favoritos e há os cronistas odiados em absoluto - sem os quais nós não teriamos a nossa dose regular de indignação, porque somos "feitos" por eles, como prostitutas da opinião. São muito poucos, felizmente. Já bastaria a homofóbica intolerância de um deles, ainda por cima transportar diáriamente um megafone republicano para uma multidão de ouvidos, falando mais e mais alto.

Estas notas serão desordenadas, tão desordenadas como a sofreguidão Delgada em passar o ponto de vista americano. Vale tudo, desde que seja à volta de Luis Delgado.
|| José 5:45 PM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 30

Escrevi há dois posts atrás que o template é a minha face, mais do que a simples face do blogue. Talvez por isso tenha escolhido este, template exclusivo, custom made no Blogskins. Escolhi-o pelo aspecto bonito e simples, e também porque o template do Abrupto já não estava disponível para escolha no Blogger.

Isto não é contraditório, porque gosto de me ver ao espelho tanto quanto gosto de olhar para este blog, e de um modo geral acho que está bem melhor que o template do Abrupto. Este meu, em vermelho e côr de terra seca, como um Alentejo com papoilas, ficará aqui por... vários séculos?
|| José 5:02 PM Brutidades:
CURSO - RECURSO

CURSORECURSO
|| José 1:12 AM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 29

Entendamo-nos:

- este blogue é este blogue
- eu sou imaterial
- a minha vera efígie é o template
- o autor é inidentificável
- o pseudónimo não está por detrás nem p'la frente de ninguém, é muito casto, excepto no que à pseudo-esposa diz respeito e nesse caso está por todo o lado
- raios me partam se não estou vivo
|| José 12:04 AM Brutidades:
TEMPOS DE PUREZA

"Cicciolina sta girando un suo film hardcore all'aperto, in un bosco. Durante una pausa dele riprese le scappa da cagare. Va quindi in un posto appartato e comincia a cagare. Quando ha finito deve pulirsi, ma non avendo nient'altro a disposizione strappa delle foglie da un cespuglio e comincia a pulirsi. Passa la prima foglia e subito sente :"Aahh! Grazie!". Cicciolina si guarda in giro, ma non c'e' nessuno e riprende a pulirsi. Appena si passa la foglia sente di nuovo: "Aahh! Ah! Cicciolina Grazie Grazie!". A questo punto Cicciolina si incazza e grida: "Ma insomma piantatela con questo scherzo!! Chi e' ?". La voce risponde: "Sono il tuo culo Cicciolina. Dopo tanta CARNE mi ci voleva proprio un po' di VERDURA!".

Cicciolina era uma grande actriz.
|| José 12:03 AM Brutidades:

Quinta-feira, Agosto 21, 2003

ORIGEM DAS IMAGENS

Seria natural que os leitores me perguntassem sobre a origem das imagens, porque nunca dei quaisquer explicações sobre elas. A resposta seria simples.
|| José 7:53 PM Brutidades:
CERVEJAS QUE NUNCA BEBEREI 2

Um grupo de amigos sugeriu-me outras marcas de cerveja à procura de quota de mercado: "Tagus", ou "Cintra". Vem na sequência do "Pode ser Cristal?" que, por sua vez, tem como ponto de partida a influência da Unicer no Alentejo. As cervejas são modestas: bebem-se. Mas não têm garrafa mini, só de 25 cl, e como esses 5 cl a mais fazem toda a diferença, nunca as beberei.
|| José 7:50 PM Brutidades:
GRAVITA

SADDAM GRAVITA SOBRE O IRAQUE
|| José 7:37 PM Brutidades:
UMA PROCISSÃO POPULAR

Era daquelas genuínas, só para as pessoas de Albufeira de Alqueva, sem ninguém de fora excepto os emigrantes, conhecidos de todos, especial só para a nossa população. Era um acto social puro para a nossa comunidade.

O Sr. Padre Parra decidiu este ano não fazer a procissão em retaliação pelo facto da sua colecta para instalação de ar condicionado na igreja e na sua residência não ter rendido mais do que o suficiente para comprar ventoinhas eléctricas. "O calor afasta-nos de Deus", dizia ele nas suas homilias. O pirata!

A comunidade reuniu-se por um dia à volta do tema do padre e queixar-se-á no dia seguinte ao Bispo. Mas procissão talvez só p'ró ano, se o padre for substituído ou lhe passar a birra. É que há uma força interior invisível neste meio eclesial de corsários, um corporativismo...
|| José 7:33 PM Brutidades:

Quarta-feira, Agosto 20, 2003

MICROCOSMOS

LSD
|| José 11:19 PM Brutidades:
FEDRA

Ontem o meu filho mais velho foi pouco amável para com a Fedra, a sua namorada. Ouvi-o dizer-lhe ao telefone:

"Baza! 'Tou farto. Para ti caguei."

Eu percebo a frase para certo tipo de fémeas, para determinadas variantes de fémeas. Percebo também que o meu filho, sendo do lado dos partidários dos relacionamentos fugazes, olhe para a solidez do seu namoro com a Fedra com desconfiança. Mas, lá no fundo da Fedra estão "características de carácter", sobre "características de carácter", sobre "características de carácter", que são de percepção fugaz a um observador distanciado como eu. Digamos que me tocam menos.

Eu sou amador da Fedra devido a uma frase que a ouvi dizer ao meu filho: "o teu pai é uma pedra!" Mas se nos desentendemos sobre o tratamento a dar à Fedra em geral, penso que nos encontramos na opinião de que a rapariga também é uma pedra, sem a qual o meu filho ainda andava eléctrico a fazer noitadas com os amigos para chegar a casa azul de tanto vomitar.
|| José 11:14 PM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 28

Uma nota de circunstância: uma das minhas prisões neste blogue é ter de me pronunciar sobre tudo, sobre a agenda de um outro mundo, sobre a agenda de um elemento da blogosfera. É aliás uma prisão bastante prezada por mim. Eu, que como muitos outros, acabo por viver numa micro-realidade, acabo por aprender com uma macro-realidade e a única coisa que me passa pela cabeça é pronunciar-me sobre ela, adaptando-a à minha.

Eu não tenho liberdade de me pronunciar sobre o que me apeteça, embora muitas das matérias aqui discutidas incluam claramente assuntos do meu interesse. Por isso é inútil tirarem imediatas conclusões morais sobre as razões pelo que o faço. Por isso sou capaz de discutir todos os falsos problemas, problemas colocados de modo viciado, problemas que não me interessam, problemas sobre os quais eu não sei o suficiente nem para ter a veleidade de me pronunciar, problemas sobre os quais acho que já disse o que queria, problemas sobre os quais existem factores de censura e inibição pessoais para outros. Por isso, é mais natural a fala do que o silêncio.
|| José 10:54 PM Brutidades:
CHANSON DE LA PLUS HAUTE TOUR

|| José 5:16 AM Brutidades:
ALBUFEIRA DO ALQUEVA. ALBUFEIRA DO ALQUEVA

Onde eu gosto tanto de estar.

Estava em Albufeira do Alqueva no dia do apagão da cegonha. Lembro-me, como hoje. Meia hora depois, os empregados de restaurantes e cafés começaram a fechar os estabelecimentos, com uma habilidade, longamente reprimida, para, uma vez na vida, saírem mais cedo do emprego.

Devido às enormes dificuldades que a falta de luz causa numa vila pobre como Albufeira do Alqueva, as pessoas choravam comida descongelada, falavam mal da EDP umas com as outras e iam esperando como podiam.

Na pensão da D. Carmelita, a Pensão Imperial, uma pensão onde nem os ratos queriam passar a noite, um hóspede acendeu uma ganza de erva e já relaxado, deixando-se dormir, pegou fogo à cama e num instante ao resto do quarto, só acordando quando ouviu ao fundo a chinfrineira das sirenes dos bombeiros e com o ar a cheirar a fumo. Na entrada da pensão, os bombeiros organizavam-se para a subida ao primeiro andar pela única escada que lá havia, ainda mais escura agora com o fumo, sem janelas para o fazer sair. Os bombeiros lá foram com lanternas, cheios de medo que a velha escada de madeira não suportasse o peso de tanta gente ao mesmo tempo. Alguns desses bombeiros esqueceram-se de desligar o gás e retirar as botijas e contribuíram para o grande bum que levou à destruiçao da pensão e à sua morte.

Presumo que depois deste dia, as coisas nunca mais tenham sido as mesmas no quartel dos bombeiros, mas, pelo menos agora os homens têm formação e o povo já confia neles outra vez.
|| José 2:50 AM Brutidades:
FOGUETES

As festas em Albufeira do Alqueva são de sexta a oito dias. Os foguetes já chegaram e o presidente da câmara já assegurou junto do capitão Prazeres e Morais da GNR da localidade que vai haver vista grossa. Temos festa!
|| José 2:47 AM Brutidades:
AVARIAS

Devido a avarias feitas pelo meu filho mais novo que andou a consultar páginas pornográficas na Internet, este blog teve falta de manutenção. O raio do miúdo provocou a instalação de um programa que não me deixava aceder ao meu fornecedor de serviço e que fazia uma chamada de valor acrescentado para a Serra Leoa para acesso a um serviço carregado de fotos e filmes de conteúdo sexual.
Agora que já aproveitei para sacar o que me intessava e castiguei o miúdo, isto vai voltar ao que era.
|| José 2:43 AM Brutidades:
KARMA

|| José 2:36 AM Brutidades:
CERVEJA QUE NUNCA BEBEREI

Ás vezes há procura de rega para a seca da minha garganta, dou com isto. Desde que a Unicer começou a ter maior predominância no Alentejo que a Central de Cervejas que sou perseguido pela Cristal porque o raio dos donos dos cafés deixaram de comprar Sagres. Não sei porquê, será receio, cagufa, pura incapacidade de romper o contrato com o fornecedor ou manter dois contratos ao mesmo tempo?

É o caso de Albufeira do Alqueva, onde me sento nos mais variados cafés ou tascas, peço uma mini Sagres e perguntam-me se pode ser Cristal. Eu quero uma mini Sagres, eles só têm mini Cristal. Vá lá que alguns não quiseram saber de mudanças e foram fiéis à Sagres. Lixaram-se para a oferta de copos, de barris, de toldos, cadeiras, cinzeiros, e assim eu não fiquei lixado com eles, sempre que posso é lá que vou matar a sede. Mas quando vou a outro lado onde têm contrato exclusivo e me perguntam se pode ser Cristal eu peço antes uma água com gás, Frize que é da Compal, nada de Vidago ou Pedras que são da Unicer.
|| José 2:30 AM Brutidades:
RESPONSABILIDADE

O noticiário da TVI é o meu preferido. Ao vê-lo fico a saber as coisas que se passam junto das pessoas deste país, os seus problemas, desgraças, pedidos de auxílio. Também gosto de saber aquilo que outros gostam de esconder, que este país está cada vez mais violento, que o crime aumenta a olhos vistos, que já não há a segurança de antigamente quando saíamos à rua. Com a excepção do Correio da Manhã nos jornais, mais ninguém nos descreve a realidade do país como a TVI no seu serviço noticioso. É ao sabermos com quantas linhas se cosem os criminosos deste país que podemos criar planos de defesa pessoal, de outra forma podemos sair à rua e nem voltar. Foi por causa da TVI que passei a andar com as portas da carrinha trancadas, mesmo quando estou perto de casa ou em Albufeira do Alqueva, zonas sem grandes problemas de criminalidade. É graças aos seus repórteres que fiquei a conhecer as mais recentes técnicas de burlas, como a da carteira cheia de jornais que nos pedem para guardar ou a dos fiscais do Banco de Portugal que recolhem "euros defeituosos" de porta em porta.
Há contudo que reconhecer que, no caso dos incêndios, a SIC fez um melhor serviço que os outros todos. Fosse onde fosse, tinham sempre um jornalista em cima do acontecimento, mesmo em cima das chamas, tão em cima que às vezes não deixava passar os carros dos bombeiros. As entrevistas aos bombeiros enquanto eles apagavam o fogo, aos populares enquanto resistiam com pequenas mangueiras ao lume a metros das suas casas, aos amigos das pessoas falecidas, ajudaram o resto do país a compreender a dimensão do que se passava.
Mas geralmente prefiro a TVI. A TVI é que faz um verdadeiro serviço público. Os intelectuais que se ocupem dos problemas que se colocam à mente e vejam o sisudo Telejornal da RTP, que o povo fica com a TVI, muito obrigado.
|| José 2:04 AM Brutidades:
KARMA?

|| José 1:46 AM Brutidades:
PRESENTES MATINAIS PARA OS ARMADORES DE COFRAGEM

Haverá armadores de cofragem na blogosfera?

É difícil que hajam, mas é com grande entusiamos que lhes recomendo o catálogo do AKI. Tudo o que necessitam para aplicação na anatomia de um prédio há ali no AKI. É um catálogo enciclopédico das ferramentas, dos cimentos, das ferragens necessárias. É uma obra revolucionária, ao intercalar os anúncios aos produtos em stock com conselhos úteis para nabos pouco práticos nas coisas da bricolage, como eu.

O livro é difícil de encontrar e deve estar esgotado - afinal já estamos em Agosto - e o AKI não deve estar para fazer uma nova edição, que aquilo são carradas de páginas, que tornam pesada a leitura quem não costuma andar a carregar baldes de massa.
Existe, no entanto, uma edição em linha que permite conhecer toda a oferta, embora deixe de fora os tais conselhos práticos. É melhor que nada.
|| José 1:42 AM Brutidades:

Sexta-feira, Agosto 15, 2003

TIOS NA ROCHA

|| José 3:46 AM Brutidades:
A VER

Muitos americanos a pé, sem alternativa para se deslocarem para casa. O retrato de uma nação altamente dependente, com uma política energética despesista, onde se consome como se não houvesse amanhã.
Pode ser que os prejuízos que isto causar os leve a pensar em poupar, em alternativas ecológicamente amigas, na diminuição da dependência dos derivados do petróleo.

A energia prova ser a verdadeira arma de destruição maciça. Quem será que vão atacar desta vez? Os canadianos?
|| José 2:42 AM Brutidades:
DISSOLUÇÃO

|| José 1:57 AM Brutidades:
SCRITTI POLITTI

Do álbum Cupid And Psyche 85, Perfect Way:


I took a backseat a backhander
I took her back to the room, better get back to the basics for you (Oh yeah)
You gotta conscience, a compassion, you got a way with the word
You got a heart full of complacency too (but its not like that)
I don't have a purpose omission, I'm empty by definition
I got a lack girl that you'd love to be (Ooh)
You wanna a diva a deduction, you wanna do what they do
You wanna do a damage you can undo (up until the day)

Apart from everyone
Away from your life
A part of me belongs
Apart from all of the hurt above

Chorus:
I got a perfect way to make a new proposition
I got a perfect way to make a justification
I got a perfect way to make a ceratin a maybe
I got a perfect way to make the girls go crazy

I took a day job, amendment
I took a liking to you
I took a page out of my rulebook for you
You want a message, a confession
You wanna martyr me too
You want a margin of error for two
(But it's not like that)
Maybe tomorrow, the next letter
Or when the weather gets better
I gotta wait here for your moon to turn blue
I made an offer, an exception
I made a sense out of you
You took a good look at your book and I knew
(Up until the day)

In times of tenderness, and tears baby so true
Until such time as I can understand the things you do

CHORUS

Want to forgive you for the things that you do
Wanna forget how to remember with you
Maybe tomorrow, the next letter
Or when the weather gets better
I gotta wait here for your moon to turn blue

Apart from everyone
Away from your life
A part of me belongs
Apart from all of the hurt above

I got a perfect way to make a new proposition
I got a perfect way to make a justification
|| José 1:47 AM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 26 - (walk down memory lane, ou na tradução do Babelfish, da caminhada pista da memória para baixo)

Os freaks que se interessam por notícias passadas têm aí ao lado direito os arquivos a funcionar. Quem prefere ler e depois esquecer, tem a minha compreensão.
|| José 1:25 AM Brutidades:

Quinta-feira, Agosto 14, 2003

TEMPOS DE PUREZA

Também aqui cabe o poema do Pouca-Sorte de Alcáçovas, que está mais abaixo, na parte do «A» Bruto enterrada no esquecimento, mas para a qual sei fazer ligações. Também só com uma pureza inicial, uma pureza do coração absoluta, o olhar de António Banha pode ver em Alcáçovas, o que Alcáçovas se tornou. Para os alentejanos, qualquer um deles, essa pureza vinha de um amor interior pela terra, pelo orgulho na terra. A verdade não é complicada, admitir os erros da reforma agrária é que é.
|| José 2:03 AM Brutidades:
MICRO-CASAS

As razões por que cada um tem uma casa são em tudo iguais mas a igualdade entre as casa já depende da riqueza das pessoas. Uma visita a várias casas revela que há pessoas que pouco mais conseguiram que um tecto sobre a cabeça e há pessoas que habitam no luxo. Há casarões, casas médias, pequenas casas e micro-casas - e há gente sem casa.

Se as grandes casas me parecem ostensivas em relação à realidade do país, já aquilo a que chamo micro-casas não são solução para ninguém.

Veja-se o caso dos jovens. Haverá mesmo quem, com um sorriso de lado, tenha o descaramento de zombar de Fulano e de Cicrano por se sujeitar a comprar uma casa microscópica na metrópole por falta de fundos para melhor, quando com muita artimanha conseguiu comprar um T-3 de 40 mil contos na Expo com crédito jovem bonificado. É, o fim do bonificado acabou com estes abusos mas também acabou com o sonho de boa parte da juventude que dele necessitava para comprar uma casa condigna. Não vejo ninguém a discutir isto, sobre o que podemos fazer para resolver o problema da habitação jovem, nem a pressionar o governo para acabar com os preços proibitivos que os construtores e imobiliárias pedem pelos andares novos ou usados, nem a ajudar no crédito dos que compraram habitação. Não há nada que os jovens que conseguiram comprar casa mais temam do que a possibilidade das taxas de juros subirem e poderem ser confrontados com a impossibilidade de pagar o crédito ao banco, por mais prevenidos e poupados que sejam.

Penso, no entanto, que estas micro-casas não fazem sucesso de vendas. Não se trata de falta de clientes, trata-se de falta de dinheiro, que só aparece na mão de alguns quando a casa é da gama média-alta ou de luxo. Aliás, estas micro-casas nem por isso têm um micro-preço e ficam por vender. Só as casas caras são imediatamente compradas, muitas vezes como investimento e não para serem habitadas. Isto cria uma migração para os arrabaldes da metrópole, para onde as casas são mais baratas e as dimensões das divisões maiores. E mesmo aqui na Amora isso acontece, com os jovens a só conseguirem comprar casa decente no Casal do Marco ou ainda mais longe, na Quinta do Conde, ou seja, nos arrabaldes dos arrabaldes.

Eu acredito que uma nova legislação de apoio à habitação jovem ou pelo menos o estímulo do mercado de arrendamento é urgente para apoiar os primeiros passos dos jovens deste país.
|| José 1:52 AM Brutidades:

Quarta-feira, Agosto 13, 2003

TUMULTO

|| José 7:56 PM Brutidades:
SONS DE ABRIL - CONTRIBUTOS

Mais uma vez, não posso dizer que alguém tenha contribuído. Nem sequer ninguém se encanitou por ter chamado aos sons de Abril "música pimba para parolos de esquerda". Isto é mais uma prova de que o 25 de Abril foi esquecido. Como tal, contribuo eu.
Esta foi a senha para o início da revolução. Letra de José Niza, música de José Calvário e cantada por Paulo de Carvalho, marcou a época.
Esta letra levantou-me uma dúvida que se manteve durante muitos anos. Já não me faz confusão que ela se tenha entregue em flôr duas vezes ao Paulo, coisa que seria anatomicamente impossível. É que só com atenção percebi que na primeira o Paulo não lhe deu nada, deixou-se dormir, o mandrião.

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
|| José 7:44 PM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 25

Sou fiel aos sítios onde aprendo e o Cruzes Canhoto é um deles.

Há uns dias, fiquei a saber que um cientista da Nova-Zelândia organizou uma expedição paga pelo Discovery Channel para filmar uma lula gigante tarada sexual.

O problema é a mediocridade da televisão actual, a fartura de dinheiro para meios disponível, o próprio modo como a ciência se vende pela notoriedade, parece alimentar impulsos e pôr de lado o bom senso. Pobres de espírito, ficam satisfeitos com o nível de notoriedade que atingem.

*

Pelas mesmas razões de aprender, de aprender a ter alegria, também volto ao Blog dos Marretas. Lá não há Deus nem Diabo, há uma prova de ecumenismo idiológico. Ou por outro lado, há Deus e o Diabo ao mesmo tempo. Seja como for, sempre com inteligência e boa disposição.
|| José 7:17 PM Brutidades:
VER A NOITE

Ver uma coruja é um privilégio raro, porque os caçadores mataram-nas quase todas. Dizem eles que pensaram que eram rolas. Os caçadores não pensam.
|| José 6:04 PM Brutidades:
TEMPOS DE PUREZA

Deamus ad montem fodere puctas cum porribus nostrus - Vamos à montanha plantar batatas com as nossas enxadas
|| José 6:02 PM Brutidades:
ENTRE O MAU E O PIOR

Aqui há uns anos passei umas férias no Vale Serrão, concelho da Pampilhosa da Serra. Na zona abundam festas e deslocavamo-nos os quilómetros que fossem precisos para ir aos seus bailes, espectáculos e sobretudo para ver os seus fogos de artifício. Uma noite fomos ao encerramento das festas de Oleiros, conhecida pelo seu grandioso final com um prolongadíssimo espectáculo de fogo de artifício.
Bebi umas minis, comi umas bifanas, dancei ao som desse grande artista emigrante de nome Jorge Ferreira, diverti-me. Mas confesso que me fez confusão quando começou o fogo. O dito era lançado logo ao lado do recinto das festas, rebentando mesmo por cima das pessoas num barulho enorme. Consegui-me desviar de todas as canas, mas não consegui evitar uma enorme dor no pescoço de olhar para cima. Os bombeiros de prevenção ainda tiveram que apagar um pequeno foco de incêndio, não causado pelas canas, mas pelo aparelho lançador que estava fixo a um chão cheio de mato seco e rodeado de árvores. Mas valeu a pena, porque nunca tinha visto um fogo de artifício assim.
Perguntei porque o fogo era tanto e tão prolongado e fiquei a saber que Oleiros tem uma relevante indústria pirotécnica, criadora de emprego e geradora de lucro no concelho, tão ou mais importante que a exploração florestal.
Agora que a floresta do concelho ardeu, se não deixarem em paz a indústria pirotécnica e proibirem o lançamento de foguetes no país, Oleiros morre ainda mais, causando ainda mais desgraça na população.
|| José 5:56 PM Brutidades:
VIOLÊNCIA

O ciclismo é um desporto muito mais violento que nós próprios pensamos. Apesar de ser uma prova desportiva, o seu intuito é comercial. As equipas na sua maioria pertencem a empresas privadas e não a clubes, pelo que independentemente da elevada temperatura ou do fogo rondar as estradas por onde decorre a prova, a Volta a Portugal tem que continuar. Se não se realizasse, as perdas ao nível publicitário seriam enormes para as empresas que patrocinam esse desporto podendo ameaçar a própria continuidade da modalidade. A culpa é da sociedade de consumo.
Pelo menos agora, se um ciclista cair está protegido pela obrigatoriedade da utilização do capacete, que poucos antes usavam porque aumentava o calor.
|| José 5:32 PM Brutidades:
FOGUETES

Em Albufeira do Alqueva e populações em redor vão haver foguetes, apesar da nota do MAI.
|| José 5:23 PM Brutidades:
SEM NADA



Daqui.
|| José 5:21 PM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 24

Este paciente espelho das anti-notas agradece as boas vindas e aproveita para informar que nunca fez disto profissão nem deseja fazer. Trata-se de uma brincadeira que tem como objectivo o entretenimento do autor, de quem lê e mesmo de quem é espelhado, nunca de uma provocação, nunca de maldade.
As instrucções e os requisitos para ler este blog são as seguintes:

- Possuir sentido de humor
- Abrir este blog e o Abrupto em simultâneo no ecrã do computador e efectuar a leitura em paralelo
- Encarar os textos de forma despreocupada e nunca levar à letra o que se lê
- Estar atento à facilidade com que se altera um discurso de direita para discurso de esquerda, usando praticamente as mesmas palavras e argumentos, invertendo-lhes o sentido

Desistir é para os fracos, mas considera-se como possível essa hipótese no caso da já abundante produção do outro lado do espelho se tornar demasiadamente copiosa e prolixa. Mais possível ainda é que José Trigo Limpo passe a viver apenas alguns dos episódios diários, seleccionando-os, em vez de reflectir por completo as entradas do Abrupto como agora.

Entretanto, relembro o primeiro post, de título Apresentação ou Disclaimer, conforme aplicável:

José Trigo Limpo, personagem fictícia, sorve avidamente as palavras de José Pacheco Pereira. Vive no país real, do qual é digno representante, mas sonha ter uma vida diferente. Dessa forma, imita as vivências diárias relatadas no Abrupto, embora comparativamente esteja limitado no espaço, no tempo e no nível intelectual. Pode mesmo dizer-se que é um fã do deputado europeu.
Dividido entre a residência num subúrbio da Margem Sul do Tejo e o Alentejo, onde é membro da Assembleia Municipal do Concelho de Albufeira do Alqueva, adapta para o seu universo as experiências e opiniões publicadas no Abrupto no dia anterior.
É de esquerda embore admire inconfessadamente Pacheco Pereira. Na autarquia, na qual partidos à direita do PS não têm expressão em termos de votos, é conhecido por não ter papas na língua, mesmo quando fala contra o seu próprio partido. Acima de tudo é respeitado pelos seus conterrâneos e camaradas do Partido Alentejano dos Excluídos Sociais (PAES).

Não há intenção de José Trigo Limpo parodiar Pacheco Pereira. O pretendido é transformar episódios que reflectem experiências que só estão ao alcance de alguns como as publicadas no Abrupto, adaptando-os para o contexto do muitíssimo comum homo portugalis.
|| José 1:56 AM Brutidades:
VER A NOITE

Olhei pela janela e o que vi? Fogo de artifício. Deve ser para os lados da Moita. Bom presságio para as festas de Albufeira do Alqueva que cada vez mais se sente amparada por outros exemplos. Vamos deitar foguetes de certeza.
|| José 1:20 AM Brutidades:

Domingo, Agosto 10, 2003

CORREIO

não é muito, mas já está atrasado. Empilhados estão 3, dois do mesmo remetente a merecer um "obrigado" e um deveras intrigante.

O Henrique Sousa da Hora Absurda manda uma primeira mensagem onde diz:

subject: Mais um leitor!

Caro "A" Bruto!
Parabéns pelo extraordinário blog! Vê-se bem, pelas estatísticas divulgadas, a invulgar avalanche de pessoas que o visita.
Acontece-me o mesmo. Visite-me em http://inerte.blogspot.com/.
Cumprimentos cúmplices

TNT (Todos no Tintol)


Bem Henrique, a verdade é que isto já não é a calmaria de outrora. Ontem vieram ao «A» Bruto mais leitores do que em todo o tempo da sua existência porque há quem os esteja a dirigir para cá, a quem aproveito para agradecer, tal como tu fazes na ligação da tua página e a quem também agradeço.

Na segunda mensagem, o Henrique enche-me de adjectivos qualificativos:

subject: Olá!

As minhas felicitações pelo excelente trabalho!
Denota um apurado espírito crítico e uma perspicácia que só se encontram em inteligências brilhantes.
TNT do hora absurda


Receio que se tenha enganado. Aqui não mora senão um pobre diabo. Se tal fosse verdade seria deputado, opinion-maker, escritor, ou coisa que o valha. Assim, sou um mero eco amador, um espelho adaptado a outra realidade.

Recebi também uma estranha mensagem não assinada cujo remetente usava o meu próprio endereço de correio:

subject: outro eu

.: leio-me com tanta atenção que até penso se sou quem sou. o A bruto que circula como um cherne dentro de mim. sim?


Consegui seguir o trajecto da mensagem até à origem e fiquei a saber que partiu de uma caixa de correio na, espanto!, República Checa. Fiquei muito contente por o «A» Bruto alcançar tão afastado país e desejo secretamente que o autor seja uma mulher, embora à partida prefira as eslovacas às checas pois acho a designação da sua nacionalidade muito mais apelativa. Para finalizar respondendo à pergunta colocada: não.
|| José 3:54 AM Brutidades:
SANTA-CLAUS

|| José 3:11 AM Brutidades:
SONS DE ABRIL



Não tem nada a ver mas... há nos blogs amadores de músicas com o espírito de Abril para a troca? Eu sei, esta música é quase considerada pimba para parolos de esquerda, as letras com o tempo perderam actualidade, são sentimentais, partidárias, mas sobretudo fazem-nos recordar uma época.

Um exemplo dos ideais de liberdade utópica, sim dos ideais utópicos, Somos Livres (Uma Gaivota Voava, Voava) de Ermelinda Duarte: (clicar em play)

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.



Em resumo: o Povo como "os bobos-do-rei", é agora a gaivota voadora, livre, como a papoila num "grito vermelho num campo qualquer". O resto é o passeio pelos novos direitos antes asfixiados, o poder dizer que não, o de ter paz, o de ter pão, o da liberdade sem retorno.
|| José 2:51 AM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 23

Discute-se em blogs como o desBlogueador de conversa, o Gato Fedorento ou o Picuinhices as aparições semanais de Vera Roquette no Diário de Notícias. Chamo-lhes aparições porque aqueles textos parecem ter sido escritos no topo de uma árvore após umas boas horas de um sol forte a bater na cabeça, e também porque na verdade não se pode chamar crónicas àquilo.

A opinão generalizada sobre a exclamativa Vera (uma média de 41,3 pontos de exclamação por crónica, cálculo com base na amostra contabilizada pelo Nélson do desBlogueador de Conversa) gira em torno de dois pólos principais: a falta de substância intelectual e a diversão semanal que é garantida pela... cronista.

Eu desvalorizo a primeira questão. Há por aí muita gente a escrever nos jornais com tanta ou menor substância que Vera, só que talvez por se socorrerem menos da exclamação acabam por passar despercebidos. Eu limito-me a desejar saúde a Vera. E que mude o apelido para Rocket, mais consentâneo com o efeito que as suas crónicas têm em mim: despedaço-me a rir.
|| José 2:13 AM Brutidades:

Sábado, Agosto 09, 2003

FLASHBACK

Convém que se saiba que nunca ouvi o Flashbak, só o Fórum TSF. Como parece que vai acabar de vez, parece que nunca vou poder ouvir.
|| José 6:52 PM Brutidades:
DOENÇA

A doença é um dos elementos mais importantes para perceber a obra que fazemos na Câmara de Albufeira do Alqueva. Ela estava presente por todo o lado e era o elemento central da elevada mortalidade do concelho. Em Albufeira do Alqueva todos os estavam doentes acabaram por se curar. O poder das nossas iniciativas, que adquiriram e puseram a circular duas carrinhas, uma só a fazer rastreio e prevenção de doenças e outra a visitar doentes levando-lhes cuidados primários de saúde - de que com tanto orgulho fala o chefe do centro de saúde, o Dr. Marganho - que actuam como a primeira linha no combate à doença.

Agora não se tem nenhuma grande doença, só pequenas, ligeiras, subtis doenças, algumas relativas à intimidade - aqui está uma coisas desagradável provocada pelo bar de alterne - e que não moem muito o corpo, resultam só em pequenas febres e dores no corpo. Em Albufeira do Alqueva as temperaturas acima de 37º são a excepção.
|| José 6:35 PM Brutidades:
UM PORTUGAL ESQUECIDO

O fragmento seguinte faz parte de uma colecção de cartoons do 25 de Abril que foram salvos do esquecimento, oriundos do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, e são praticamente únicos. Datam todos de 1974.



Entre esses cartoons há paródias a Soares, Spínola, Cunhal, Gonçalves usando o armamento que passou a estar disponível na altura: a opinião crítica, o humor corrosivo, etc. distribuídos pelos diferentes jornais da altura, incluindo os desportivos. Esta era uma época em que a maior parte dos portugueses, homens, de profissões relacionadas com a agricultura ou a indústria, ou profissionais relativamente especializados, acordaram para as armas que tinham na sua posse. O grau de violência que tinha sido inscrito em vidas censuradas era grande.
|| José 5:51 PM Brutidades:
OUTRO OLHAR SOBRE AS ALENTEJANAS

|| José 5:17 PM Brutidades:
INCÊNDIOS

de novo à minha frente, dois seios, um maior do que o outro, começando a entumescer em locais bem definidos por mais uns momentos lascivos. De novo só a minha resistência física permitiu acalmá-los para que não se tornassem um perigo.
|| José 5:12 PM Brutidades:
"JÁ CHEGA DE "ET TU, TRIGO LIMPO, ET TU?"

É hora de ir para a cama agradar a mulher, dedicar-me a momentos de que a igreja não gosta.

|| José 4:56 AM Brutidades:
"ET TU, TRIGO LIMPO, ET TU?" - MAIS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Tenho andado para aqui meio desorientado - fico quieto ou vou às fuças do Carlos Guilho - a propósito da notícia do Ecos de Albufeira do Alqueva e não sei que diabo me passou pela cabeça para usar o «A» Bruto para me defender. Acho que não tem sentido pronunciar-me sobre estas coisas, mas apenas sobre o que gosto, não gosto, leio, penso, acho, vejo, como, bebo, fumo e até já falei sobre o que... nada, esqueçam. Acho que não pensei bem quando me decidi a escrever sobre isso no «A» Bruto, o meu pequeno jornal pessoal. Para além disso não foi nada pedagógico para os meus filhos admitir que andei a almoçar à conta do jornal, acharam um "escândalo" ter sido honesto nesse sentido e agora sou alvo de troça lá em casa.

O que me mói é que não me tinha imposto regras: sempre escrevi aqui tudo o que me apeteceu, sem estar sujeito a condicionalismos, devia ter-me controlado melhor, sou um bocado desbocado.

O assunto saiu no jornal da terra e não chegou ainda à imprensa da capital do distrito. Estou convencido que chegará, dado que agora já há desculpa para isso. Eu cá, que ando de olhinhos abertos, sei perfeitamente que o Carlos Guilho queria publicar a notícia primeiro no jornal oficial do seu Partido da Utopia, o P'ra Frente é o Caminho, que era para eu não desconfiar dele, mas deu-se mal que o director do dito é professor universitário de Ética e Deontologia e não esteve para dar maus exemplos aos alunos, e então teve que publicar no Ecos. Realmente devia ter estado calado, mas pensei que a minha admissão de culpa me havia de safar de ser condenado aos olhos dos munícipes, que apreciariam a minha honestidade.

Todos os dias volto a olhar para o título - "Trigo Limpo Fariña Amparo" acusador na capa, fotografia em que não estou favorecido e as páginas centrais inteiramente preenchidas, e fico arrependido. Ainda se pudesse usar o advogado da câmara para saber se há maneira de pôr o Guilho na ordem, como já usei para me safar a umas multas por excesso de velocidade, mas agora assim dava muito nas vistas.

DIVULGAR A DECLARAÇÃO DO IRS/IRC?

Quando se está encanitado, e não tenham dúvida que é essa a palavra exacta, pensa-se fazer algumas coisas nem todas sensatas. Uma das quais, penso que a mais insensata de todas, foi mostrar a minha declaração de rendimentos e todos os documentos relativos à loja como o IRC. Por aí se veria que a loja dá prejuízo desde que abriu e que daí tiro o ordenado mínimo como sócio-gerente - está lá tudo preto no branco. Só não há qualquer "volta ao fisco" na parte do ordenado de deputado municipal. De resto, não faço nada de diferente dos outros comerciantes, aliás foram eles e o meu contabilista que me ensinaram como se preparava tudo. Num país civilizado, as Finanças já me tinham chamado à atenção sobre isto, mas aqui nunca o fizeram.

Já decidi que não divulgo a minha declaração, mas se o fizesse seria no «A» Bruto porque ninguém em Albufeira do Alqueva usa a Internet. Assim, podia dizer que a tinha divulgado e quem quisesse que descobrisse aonde.

Há, no entanto, motivos para não ter certezas. Há uns anos, escrevi no programa eleitoral para as eleições da câmara uma medida que causou polémica: a obrigação dos titulares de cargos camarários darem acesso às declarações de rendimentos. Da mesma maneira como eu faço alguns malabarismos para poupar nos impostos, mais alguns o fazem. É evidente que não gostaram da ideia, mas expliquei-lhes que isso era apenas uma medida populista para ganhar a câmara, que depois isso era "esquecido", até porque as pessoas têm memória curta. Na altura, aceitaram e fizeram campanha com isso e conseguimos, depois de vencer as eleições, com que essa medida nunca tivesse sido posta em prática.

Decidindo no impulso do momento, nunca divulgaria as minhas declarações. Mas, é um direito que me assiste pedir a declaração de Carlos Guilho que, não esquecer, é presidente da junta. Como sempre ouvi rumores de negociatas que o envolviam, pode ser que, para meu gáudio, consiga encontrar por onde pegar. Pode ser que consiga desviar as atenções para ele, esse invejoso anti-democrático. Insisto, ainda não decidi, mas hesito.

Parte do preço que hoje pago pode começar aqui a ser pago por Carlos Guilho devido à minha medida populista, na qual sinto agora muito orgulho.
|| José 4:46 AM Brutidades:
CRATERA

|| José 3:20 AM Brutidades:
MEDIDAS A MEIO CAMINHO VÊEM EM NOSSO AUXÍLIO

Li a notícia que o MAI "cancelou hoje as licenças para o lançamento de foguetes durante a actual situação de risco de incêndios." Se assim fosse ficaria descontente - os riscos estão controlados, sem grande custo para a autarquia. Mas depois quando se analisa o texto, surgem motivos para ficar alegre.

O MAI "ordenou à GNR e à PSP que não procedam à concessão de licenças para o lançamento de foguetes ou queima de outros fogos de artifício, excepto nos casos em que os bombeiros da área certifiquem que não há risco." Pelos vistos nós eramos a excepção, temos sempre um carro de bombeiros para prevenir: os nossos bombeiros assumem essa responsabilidade, basta um carro, nós até lhes pagamos, e mesmo no meio deste inferno de fogos, há sempre carros que ficam para trás para proteger a nossa terra e para "certificar" só precisam de sair do quartel, não vão para longe.

Depois há melhor:

"O ministro Figueiredo Lopes determina ainda que seja dado conhecimento ao coordenador distrital do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil das licenças já concedidas antes da actual situação e cujos lançamentos ou queimas ainda não tenham sido efectuados, para que sejam tomadas medidas de prevenção contra incêndios."

Pode ser que o defeito seja de quem redigiu a notícia, mas lendo isto fico quase com a certeza que a nossa licença não foi cancelada, ou seja, não é proibido deitar fogo! Ainda bem que é assim e se abre uma excepção "para as licenças já concedidas antes da actual situação e cujos lançamentos ou queimas ainda não tenham sido efectuados", como é o caso de Albufeira do Alqueva. A nossa festa é na última semana de Agosto e já é das últimas festas das redondezas, toda a gente sabe que quando nós lançarmos o fogo já a maioria foi lançado. Eu aqui só fico preocupado com uma coisa: se houver incêndios nas terras vizinhas podem-nos mesmo proibir de deitar o nosso fogo.

Esta medida da proibição, para ter efeito, só se fosse aplicada à cachaporrada, que ninguém está em para perder a atracção dos fogos nos dias das festas. Para além disso, criaria desigualdades entre aldeias que cumprissem a medida certificando a segurança com a presença dos bombeiros e as outras que por medo de não terem bombeiros de prevenção não deitassem fogo, perdendo visitantes, logo, dinheiro. É mais fácil permitir a toda a gente, era igual para todos.

Como nos ficamos por isto, conhecendo a vontade da Junta de Freguesia em deitar o fogo e da maneira como o Governo Civil costuma actuar, vai haver foguetes no concelho de Albufeira do Alqueva. O MAI sabe disso porque termina dizendo

"A Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública devem também reforçar a fiscalização no âmbito do uso de foguetes ou queima de outros fogos de artificio."

Estou mais tranquilo, vai ser como nos anos passados, em que fiscalizavam com uma mini na mão e uma bifana na outra. Agora já estou mesmo convencido que vão haver foguetes.
|| José 2:18 AM Brutidades:
A HISTÓRIA DO COLONIALISMO PORTUGUÊS EM MOÇAMBIQUE

está na Companhia de Moçambique.
|| José 1:44 AM Brutidades:
A CAMA DO GADO

Isto de se ser itinerante, vagabundo e curioso às vezes dá para aprender algumas coisas. Uma das funções sociais do bar de alterne de Albufeira do Alqueva é o de receber maridos com historial de violência doméstica naquilo que chamamos "a cama do gado". Literalmente aquilo sobre o qual o gado (porque era como eram tratadas as alternadeiras brasileiras ou colombianas pelos patrões) dormia com os clientes. Todos os dias se alegravam os maridos e depois, pouco a pouco, deixou de haver porrada em casa. O bar de alterne passou a funcionar como um escape aumentando o número de esposas aliviadas também. Os casamentos no interior são feitos de muitas destas coisas.
|| José 1:25 AM Brutidades:
DIÁLOGOS SOBRE FOGUETES

- Talvez este ano fosse bom não deitar foguetes à alvorada…

- Acha? E depois ninguém acorda.

- É um risco, mas assim poupávamos algum.

- Os foguetes não são caros, para além disso sobraram da festa do partido.

- Mas e se as empresas de pirotécnia não nos fizerem desconto de volume no ano que vem …

- Não, não acontece nada, se for preciso compramos ainda mais. Ainda se alguém se lembrasse da crise para o ano…

(Por absurdo que pareça ninguém que se "lembre", o povo neste caso, prefere alegrias a tristezas.)
|| José 1:13 AM Brutidades:
O NEGRO

Vivi, num dos meus “lugares de ascensão”, numa casa que ficava no limite de uma área que tinha sido ocupada recentemente por barracas com imigrantes dos PALOP's, na Damaia, Amadora. À noite, quando regressava a casa, atravessava a área africana e pude ver como os negros vivem sem luz. Os faróis do carro quase não iluminavam a estrada e a luz fugia para os dentes dos negros quando não cariados que nas bermas e no chão coberto de lixo viviam.
Não sabia que este efeito existia e pensei que qualquer dia ainda atropelava alguém. Não.
O negro é sempre negro, mas os dentes ajudam.
|| José 1:02 AM Brutidades:

Quinta-feira, Agosto 07, 2003

NOVO - FÍSICA E MATEMÁTICA - JÁ NÃO SEI O NÚMERO DA SÉRIE DE COMENTÁRIOS, PERDI-ME

Finalmente este blog começa a ter comentários.
Diz a Sílvia:
Hum... curioso! Nesse caso, este comentario provavelmente nao vai ser lido :)

Silvia, é verdade que eu não leio blogues, nem sequer o meu e é óbvio que não li o teu comentário.

Diz o Sérgio:
o moço escreve bem enão é bruto não senhor. Eu fiquei com pena de si e por issi lhe mando esta cartita. e mais lhe quero dizer que tem o relógia atrasado e não tem corrector ortográfica das minhas asneiras. e como é que eu tiro estes comentários daqui se não os queria cá meter?

Ora obrigados Sérgio, mas acho que está enganado. Em primeiro lugar, diz que não sou bruto porque ler torna as coisas mais suaves, havia de me ouvir falar. Em segundo lugar, não sou merecedor de pena, talvez de um teclado novo. O relógio dos comentários está atrasado propositadamente, está na hora do Rio de Janeiro para nunca me esquecer de Fátima Felgueiras, como a maioria das pessoas já fez. Corrector ainda lhe arranjo, mas os comentários é tarde demais, pois comprometi-me a não fazer "qualquer tipo de censura, corte ou adaptação", nem sequer a pedido do comentador. Eu sou um homem de palavra.

Diz a Maria:
isso é o que o bruto pensa...

Quem disse que eu penso? Por acaso leu isso em algum lado? Querem-me decapitar, isso são calúnias, cabalas e não passam de uma difamação infâme!
|| José 12:58 AM Brutidades:
OUTRA VEZ A LUZ DE SKAGEN

|| José 12:17 AM Brutidades:

Quarta-feira, Agosto 06, 2003

ET TU, TRIGO LIMPO, ET TU?

Como imaginam ninguém gosta de admitir que é trafulha, mas estou aqui para o bem e para o mal. Quem me manda ter um blog?
Também não sou de ficar calado, não tenho esse feitio. Podia ficar calado mas achei que se o fizesse ainda haviam de pensar que era verdade. Segundo me disseram, o Ecos de Albufeira do Alqueva acusa-me de aceitar almoços pagos pelo seu próprio ex-director quando, ainda Carlos Guilho era um simples jornalista, eu colaborava com uma crónica semanal no jornal e tinha prometido fazê-lo gratuitamente. Isto só pode ser coisas preparadas por esse gajo. Mentiria se dissesse que não li o texto do jornal, por isso passo aos esclarecimentos.

1) não aceito almoços de ninguém a menos que me desafiem para comer

2) não tenho outros rendimentos que não sejam os da loja dos 300 que me pertence e o de deputado municipal

3) não sou jornalista, pelo que não posso aceitar almoços como se fosse um membro da comunicação social

4) não fui o único a almoçar com o director, só fui o único a ir sempre a Espanha a almoçar com ele, que lá come-se mais barato

5) de há dois anos para cá deixei de colaborar com o jornal, agrupei numa pasta todos os recortes com as minhas crónicas, não tenho recibos porque não recebia nada por o fazer, pelo que não tenho nada na minha contabilidade nem há qualquer valor pago a mim no órgão de comunicação social respectivo, pelo que nada foi declarado às Finanças, e sou um homem de carácter; não há qualquer informação que seja sonegada porque nunca me perguntaram, nem qualquer truque porque não sou o Luis de Matos, tudo claro e transparente como a água da barragem

6) aliás, só um doido é que tendo actividades políticas receberia dinheiro de órgãos de comunicação social porque sabe que está sujeito a ser entalado que essa gente não é de confiança

7) nunca até agora isto suscitou qualquer dúvida a ninguém, excepto à minha mulher que pensava que eu, em vez de ir almoçar, ia a Espanha a algum puticlub de beira de estrada comer carnes brasileiras, mas como eu sou especialista a lidar com ela tirei-lhe as dúvidas à noite quando cheguei a casa

8) se alguém tem que colocar objecções é o meu médico (que me passou uma dieta de baixas calorias) e se o fizer procederei a uma alimentação mais cuidada; sei que o meu médico tem razão e pagarei com a saúde; se me parecer que a sua interpretação é abusiva contestarei voltando a comer o que me apetece, como é direito de qualquer cidadão; o meu único interlocutor nesta matéria é o Doutor Vitor Barbosa;

9) enquanto não o fizer, escapo a um raspanete, porque não sou de ferro e gosto de comer de tudo, até do que cozinho apesar de não ter jeito nenhum

Uma penúltima observação: não tenho dúvidas de que o Ecos de Albufeira do Alqueva me quer lixar, já esperava que Carlos Guilho começasse a fazer valer o seu lugar como chefe da redacção preparando-se para as autárquicas, e estando eu no seu caminho, alguma coisa deste tipo acontecesse.

Uma última observação: eu tenho lá culpa que o ex-director do jornal de cada vez que eu ia entregar uma crónica decidisse pagar-nos o almoço, a mim e a ele? Eu tenho lá culpa que o homem metesse as facturas do almoço e da gasolina como despesas de trabalho?
|| José 11:55 PM Brutidades:
INDEX LIBRORVM PROHIBITORVM OU A MORAL DOS HOMENS DE DEUS

Sou curioso, no sentido da curiosidade e da estranheza que a mim causo. Passei a gostar de encontrar novas palavras, objectos, imagens, na espantosa variedade do mundo, e dos livros, coisa de há pouco tempo. Enquanto a mundo for assim, é possível haver conhecimento. Prefiro isso a não fazer nada.
Mas há quem não esteja a favor disso. O Senhor Padre Parra fez uma lista de livros que entregou aos paroquianos de Albufeira do Alqueva. Até os livros da ousada Margarida Rebelo Pinto ou o "humor pagão" do "Homem Que Mordeu o Cão" estão na lista. Estes só como exemplo, porque ódio mesmo é a Umberto Eco, calculo que por causa de "O Nome da Rosa". Aconselhar mesmo, só aconselha a Bíblia, porque "não sou o Marcelo Rebelo de Sousa". É o Index à maneira alentejana, sem livros queimados, mas sei que estas recomendações se repetem em outras zonas do país, onde a igreja tem até mais influência que aqui.
Só segue os mandamentos do padre quem quer, por isso nem me importo com isso. Mas preocupo-me com os dispêndios da Igreja. O Senhor Padre Parra volta e meia faz uma colecta. Já o fez para comprar um carro para uso pessoal, mas não se ficou por um comercial de dois lugares, mas sim para uma carrinha familiar, como se ele, que anda sempre sozinho e nunca vi carregar fosse o que fosse na bagageira, precisasse do espaço e dos lugares. Já o fez para pintar a igreja, para restaurar o interior, para um novo sistema de som, mas nunca o fez para acções de solidariedade para com os necessitados porque, diz ele, "os paroquianos são pobres, mal têm para eles, quanto mais para dar aos outros". Estes homens de Deus apregoam o desprendimento material, a humildade e a fraternidade, mas só a acham aplicável aos outros, que eles comportam-se de forma diferente. Faz o que eu digo, não o que eu faço, não é? Pois é, a riquíssima Igreja Católica cujo património está avaliado em 700 milhões de euros, cria paradoxos aos quais nem se digna responder. Rodeia-se de belezas, tesouros, obras de arte, livros valiosíssimos, em negação evidente dos ensinamentos que prega.

Não me preocupa a censura da Igreja a livros, músicas, quadros ou outras formas de arte. Preocupa-me a imoralidade, quando lhes perguntamos para onde vai o dinheiro que lhes é dado e que eles respondam que dinheiro não têm nenhum.


|| José 10:52 PM Brutidades:
FÍSICA E MATEMÁTICA – COMENTÁRIOS - 3ª SÉRIE

O «A» Bruto continua sem receber e-mails nem brutidades. Quem cala consente.
|| José 6:59 PM Brutidades:
ANÚNCIO DA MINHA MORTE

Texto do anúncio da minha morte que quero que seja publicado no Ecos de Albufeira do Alqueva:

"Eu, José Trigo Limpo, informo os meus Amigos que morri hoje, 6 de Agosto de 2003, a meio da tarde. Não sei qual foi a ideia de atravessar o Alentejo para ir para a Amora no pino do calor, talvez o telefonema da mulher a dizer que estava com os calores me tenha afobado, isso e duas garrafas de tinto ao almoço. Contraí uma sede de tal ordem que a ressaca foi como um cancro. Estou completamente arrependido de ter comprado a Ford Transit sem ar condicionado. Julgo ter pago o preço justo por ser forreta. Quando eu morri derretido, não queria choro nem gritos, só queria ter comigo um garrafão de cinco litros."
|| José 6:33 PM Brutidades:

Terça-feira, Agosto 05, 2003

A LUZ DE SKAGEN

|| José 9:57 PM Brutidades:
INCÊNDIOS

A culpa é do governo, falar de outra coisa é escapismo e distrai desse facto.
|| José 9:48 PM Brutidades:
INSISTÊNCIAS

Todos os anos há festa em Alqueva do Albufeira na última semana de Agosto. De há três anos para cá, a festa em vez de uma semana só dura 3 dias, de sexta a domingo. Na verdade não há nada a comemorar, porque a terra foi abandonada pelo santo ao qual em sua honra a realizamos, S. Janeiro, e por isso já nem a fé é muita.
O Governo Civil todos os anos pressiona a Câmara Municipal para que não sejam deitados foguetes desde que há 5 anos atrás uma cana caiu em cima de armazém cheio de feno pegando-lhe fogo e a três casas desabitadas que estavam ao lado. É claro que continuamos a ter foguetes durante a festa, a diferença é que agora há um carro dos bombeiros pronto, não vá o diabo tecê-las . São lançados sempre na alvorada e ao fim da tarde. No último dia, há fogo de artifício, que já foi de 30 minutos e agora é só de 15. Vem muita gente das povoações em volta e sempre deixam algum dinheiro nos comerciantes do concelho. Nessa altura temos cá os nossos emigrantes também e não os podemos desiludir.
Agora somos ameaçados pela proibição ao lançamento de foguetes que o governo decidiu fazer. A festa não dá lucro, nunca deu, mas se não pudermos ter fogo de artifício mais vale que não exista. E depois quem é que explica isso ao povo? Quem é que indemniza os comerciantes, que conseguem durante a festa fazer mais dinheiro que durante dois meses inteiros de trabalho? Seja quem for perderá as eleições quando houverem, que o povo não esquece.

Ontem, a mulher quis ir às compras ao Carrefour ao Montijo. Diz ela que, como ontem não dava nada de jeito na televisão, depois se dava uma voltinha no centro comercial até porque faz bem andar. Fiz-lhe a vontade, apesar de ter um Continente logo aqui ao pé no Fogueteiro. Saí mesmo com aquilo a fechar e quando ia meter à chave à porta do carro, comecei a ver foguetes e fogo de artifício para os lados do Montijo, apesar da proibição do governo. Fiquei todo contente porque agora tenho a certeza que em Albufeira do Alqueva não vai ser diferente, vamos ter festa como sempre.
|| José 7:59 PM Brutidades:
SÃO PRESENTES, MAS EU NÃO OFEREÇO

Para The Galarzas:

Mesmo que já conheçam as causas para os sintomas que apresentam, aqui vai uma recomendação do livro de António Ferreira de Macedo e Maria Helena Pinto de Azevedo, "Os Genes que Pensam, Alguns temas de genética psiquiátrica", Coimbra, Quarteto Editora. Para esta tribo de loucos gentis, este livro é uma boa leitura.

Para o Outro Eu:

Para evitar a reprodução do que se passou nas rádios da Media Capital, recomendo de William Lundin Ph.D e Kathleen Lundin, "When Smart People Work for Dumb Bosses: How to Survive in a Crazy and Dysfunctional Workplace", The McGraw-Hill Companies, 1999. Mas não fico por aqui, que o osso é duro de roer, pelo que aconselho de Kerry D. Carson e Paula P. Carson "Defective Bosses: Working for the "Dysfunctional Dozen", The Haworth Press Incorporated, 1998. Espero que com base nisto consiga fragmentar uma certa proposta para alteração a um modelo apreciado e de sucesso.

Para os entusiastas de histórias mafiosas

... nos quais eu me incluo, gostava de fazer recomendações em português mas não o posso fazer. Sobre o escândalo na Casa Pia só há este que tem um ponto de vista cínico de um Pilatos qualquer. Também não há nada publicado sobre as histórias da Universidade Moderna, nem é preciso, basta olhar para um livro de cheques.
Violência, mentiras, jogo de influências serão a base de qualquer livro sério que venha a ser escrito sobre estes assuntos e que antecipadamente sugiro.
|| José 7:19 PM Brutidades:

Segunda-feira, Agosto 04, 2003

ONDE

|| José 4:58 AM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 23

Eu, José Trigo Limpo, não leio blogues. Excepto um que não tem direito a férias.
|| José 4:20 AM Brutidades:
SEM VELA

nunca aprendi a ler russo
nem aprecio poesia
mas gosto da sabedoria
do poeta popular

do Pouca-Sorte de Alcáçovas
que é autor e dizedor
aprecio-lhe a dor
que tão bem sabe explicar

é por isso que o copio
e o colo neste blogue
que ele é como um unimog
a viatura militar

já passou por quase tudo
e com muita valentia
é assim que hoje em dia
diz "viver é guerrear"




De António Banha: "Alcáçovas, Meu Querido Alentejo"

1

Agricultura não permanece

Não há estratégia fundamentáis

E depois o sque acontece

Empobrecimento dos rurais



2

Politíca agricola não desenvolve

Não há nenhumas medidas

Pensando bem até comove

Às regiões desfavorecidas



3

Terra sem ser cultivada

Dá estes acontecimentos

É directamente assentuáda

Diminuição dos rendimentos


4

É tudo uma tristesa

Pelo drama que se afecta

Para a lavoura portuguesa

Não há uma idéia concreta



5

Projidica absolutamente

Todo o ambiênte rural

O que se vê á nossa frente

Cada vês estamos mais mal



6

Com esta lei tão tirana

Agricultor não se conforma

A lavoura alentejana

Está em baixo de forma


7

Caminhamos para a penura

Com estas iniciativas

O Ministério da Agricultura

Não dá nenhumas perspectivas



8

Meu Alentejo como estás

Quáze morto por instantes

Que tu já não és capaz

De dáres o que davas dantes



9

Eu fáço este reláto

Às coisas acontecidas

Só o que se vê é o mato

Pernadas de árvores caídas


10

Alentejo será porquê

Teêm te vindo a despresar

Já não se ouve nem se vê

Os passarinhos a cantar



11

Por o Alentejo a seguir

Nada se vê que esteja bem

São todos os montes a caír

E olhando não ver ninguém



12

Já não tens segurança

Todo o campo abandonado

É de destancia a destancia

Se vê um rebanho de gado
|| José 4:15 AM Brutidades:
VERÃO ANTIGO

|| José 3:48 AM Brutidades:
A CATÁSTROFE DO DIA SEGUINTE É SEMPRE MAIOR DO QUE A DO DIA ANTERIOR

Não obtenho qualquer informação sobre o Jesuíno Farinhelas. O mesmo já acontecia nos anos anteriores. Desde que a tasca abre, a bebedeira do dia seguinte é sempre pior do que a do dia anterior. É a única constante. Este homem é uma "catástrofe", sempre visto de uma forma hiperalcoólica, apática, embriagada, que, a uma dada altura, as palavras que lhe saem não servem para nada. Desapareceu anteontem, não há dados objectivos, áreas foram esquadrinhadas, mapas percorridos, casas revistadas, é procurado a olho. A combinação entre a excitação e o espectáculo numa terra onde nada acontece, a ignorância daquilo que se fala (que foi procurar o filho a Espanha, que o viram na Herdade ou que foi a uma consulta a Lisboa) e a lógica do boato (por esta altura já está morto), sempre maior, sempre mais dramático, não me deixa saber nada sobre o raio do homem.
|| José 3:38 AM Brutidades:
VER A NOITE - INCÊNDIO

Tenho um incêndio a 5 metros, cheio de curvas como uma estrada e uma ravina coberta com mato. Não oferece perigo nem a pessoas, nem bens porque toda a noite o apago. Nem bombeiros conseguirão impedir que atravesse a sala até mim. É completamente indomável e sobe por mim sem tréguas.

Um enorme clarão vermelho vulcânico ilumina-lhe a própria face. Ouço-me crepitar e o cheiro intenso penetra lascivo. É importante que este festival de paixão produza um cheiro magnífico, a pele, a desejo insaciável. Geme como a sirene de um carro de bombeiros, desnecessária porque na cara não há senão prazer. Uma agitação silenciosa perpassa-a no final; apanhados na sua maioria já a dormir, os vizinhos já podem voltar a descansar, a imaginar, invejosos.

Desci ao sítio das chamas junto do local por onde a mãe a alimentava enquanto a carregava, a ver se é fogo que se pudesse combater. O poder do fogo é enorme, uma coluna sobe à medida que os arbustos são afastados, atirando a língua de fogo para próximo do êxtase, para a zona húmida. Atrás fica um suspiro ofegante pelo que já ardeu, claramente delimitado por um risco em chamas.

É um incêndio maciço, imprevisível, que me ajuda a perceber porque ainda estou casado.
|| José 3:22 AM Brutidades:
VER A NOITE

não é possível. O fumo da Siderurgia Nacional espalha-se e tapa tudo. "Vem morar de vez para Albufeira do Alqueva, vêzias todas", diria mestre André da relojoaria no canto superior esquerdo do Centro Comercial Espelho d'Água, no sítio onde a Câmara queria construir um parque infantil.
|| José 2:49 AM Brutidades:
DE PARTIDA

|| José 2:42 AM Brutidades:
FÍSICA E MATEMÁTICA - COMENTÁRIOS - 1ª e 2ª série (Sempre em actualização)

Note que José Trigo Limpo do «A» Bruto é de esquerda. Por isso, a partir de agora, passa a ter comentários, também porque através do correio electrónico não recebeu nenhuma contribuição dos seus leitores, que são muito bem-vindas. Não há falta de espaço no Blogsopt nem há regras editoriais, porque o que para uns é bom senso, para outros será leviandade. Ao clicarem em Brutidades terão possibilidade de ver publicadas todas as contribuições para o debate, independentemente da minha concordância ou discordância com o seu conteúdo, pelo que garanto não proceder a qualquer tipo de censura, corte ou adaptação.
|| José 2:31 AM Brutidades:
PERDA

O meu vizinho Silvino é chato como a potassa. Diz ele que no "DE NOVO SOBRE O RENDIMENTO MÍNIMO GARANTIDO" onde está a palavra perda deveria estar perca. Já lhe disse que perca é peixe e que, no sentido daquela frase, escrevi perda para não escrever merda.
|| José 2:11 AM Brutidades:

Domingo, Agosto 03, 2003

FÍSICA E MATEMÁTICA

O problema das notas de Física e Matemática dos exames do 12º ano na Escola Secundária Joaquim Seara em Albufeira do Alqueva revela que, para além das graves deficiências do sistema educativo, os 10 alunos da terra que querem acabar o ensino secundário se ressentiram do facto de só ter havido professor a partir de Dezembro no caso da Física e de não haver professora de Matemática a partir de Maio porque a senhora foi ser mãe e não terem colocado professores substitutos (embora digam que há milhares no desemprego). Não percebo nada disto, mas qualquer um vê que há algo de muito errado. Eu sei que Física e Matemática não interessam para nada aos moços da terra, excepto ao Rui da Manuela da mercearia que quer ser engenheiro agrícola. Os outros só querem acabar o 12º e trabalhar, embora na verdade não tenham sido preparados pela escola para ter uma profissão. Sem ensino profissional ou técnico, não sabem fazer nada e assim têm que se sujeitar a trabalhos não-especializados, quando os há.

O sistema educacional público em Albufeira do Alqueva, falando sobre as disciplinas de Física e Matemática, fornece-lhes professores deslocados, jovens recém-licenciados nessas matérias mas sem especialização na via de ensino e que não querem ensinar num concelho do interior. Ou seja, para além de desmotivados (por não terem tido outra hipótese senão a de ir ensinar) nem sequer tem qualquer preparação para serem professores porque basta ter o curso para poder ser considerado preparado para tal. Segundo o Ecos de Albufeira do Alqueva, as médias em Física e Matemática são demasiadamente vergonhosas para poderem ser publicadas. Consegui saber que só o Rui, com muito esforço, conseguiu ter uma nota positiva, um 13 que lhe poderá não chegar para entrar na universidade mas que ajudou ainda assim a subir a média do concelho.

Pelo menos duas coisas estão erradas. Não haver uma escola profissional na zona leva uma parte dos alunos a abandonar o ensino secundário no 9º ano porque sabem que não vão aprender nada de útil para o tipo de trabalho que vão fazer. Os poucos alunos que decidem concluir o seu ensino secundário são confrontados com professores sem qualidade ou vontade de o ser e que não os conseguem entusiasmar para prosseguir os estudos no ensino superior.
Certo é que a qualidade do ensino vem diminuindo de ano para ano e já ninguém tem dúvidas que no tempo da ditadura ele era melhor, por mais que custe reconhecê-lo. Os responsáveis por isto têm sido os inúmeros Ministros da Educação, cada um com a sua ideia sobre como deve ser o ensino e nenhum sem um plano estratégico a longo prazo, ou pelo menos que continuasse a implementar o plano estratégico que o seu antecessor criou, mesmo que seja de outro partido.
|| José 7:32 PM Brutidades:
BLOGUES PELA FRESQUINHA 22

Ninguém me escreveu mas imaginemos que sim e que foi o meu vizinho Silvino Silveirinha, aqui da Amora, que era grevista profissional na Lisnave e que desde que recebeu uma herança e a investiu com sucesso num negócio de lavandarias a seco em franchising, passou a patrão e mudou de ideologia:

"Acerca da entrada que fez com a imagem de Trotsky, queria dizer-lhe que as aparências podem iludir.
Embora a maioria dos meus ex-camaradas pense que o homem matou o dragão, no meu caso penso que ele é que foi comido e sem tempêro.
Veja o mundo hoje em dia e confirme a vitória do dragão. A revolução não passou nem passará, que os passarões aburguesaram-se e a malta quer é estar descansada, não quer chatices. Enquanto houver dinheiro para as famílias comprarem fatos de treino para irem passear ao fim de semana ao Fórum Almada não há reivindicações e muito menos revoluções."

Esta e outras questões sobre o motivo para eu manter o poster na parede da loja são cada vez mais pela cada vez maior importância do dinheiro no mundo real e pela maior ineficácia das ideias revolucionárias. Isto significa que não perceberam nada do que disse e isso deixa-me contente, porque assim sei que já falo como um verdadeiro político.
O que eu queria dizer era isso mesmo, Silvino, o dragão está vivo e de boa saúde enquanto que a lança de Trotsky está mais seca que bacalhau, quebradiça e sem reparo possível.

Exactamente porque o poster representa uma fronteira ficcional é que não o retiro da parede, porque essa ficção cada vez mais sai do mundo dos átomos, e só num mundo virtual ainda se pode acreditar naquilo. A arte do futuro vai viver ali na cartola do dragão, naquelas dimensões imateriais tornadas cifrões visíveis pela astúcia do sentido da economia global. O dinheiro é a nova Catedral e isso já não é novidade, nem para o homem que de escudo soviético na mão e montado num cavalo branco queria educar as massas para um novo modo de vida. Razão tinha o meu sogro - quem tem um pão quer dois, mas bom mesmo é ser dono da padaria. Cada vez mais.

E já agora, Silvino, não faço ideia se Trotsky foi comido. Cada um come onde quer, basta olhar para o Bloco de Esquerda.
|| José 6:43 PM Brutidades:
ESTADO DO «A» BRUTO

Não podem ver o contador porque não quer aparecer, mas ontem passou os 70. O número de pageviews desde que o «A» Bruto começou é bastante superior, aproximando-se das 120.

No dia 31 de Julho atingiu 17, o maior número de leituras registado. A média actual de "pageviews" diárias é de mais de 10 (mais do que no mês passado quando isto ainda não existia) notando-se um acréscimo de médias desde valores à volta de 0 à medida que o «A» Bruto se torna conhecido. Tanto pode ser um efeito do calor, como um aumento do interesse dos leitores. A ver.

Nos outros elementos estatísticos – distribuição dos leitores no mundo por fusos horários, dias, horas de maior afluência, e origem dos visitantes - a conclusão é que só portugueses lêem este blog e que de madrugada há muita gente aqui vem à procura de motivos para dormir.

As "acções" na Bolsa de Valores de Albufeira do Alqueva rivalizam com as da Herdade da Casa Branca, tendo atingido 20 cêntimos. Ninguém as quer.

A mudança mais significativa é o número de blogs que se ligam ao «A» Bruto: segundo o Techorati há hoje 6 "inbound blogs" e 6 "inbound links", seja lá o que isso for. Obrigado ao Latinista Ilustre (embora ache que se terá enganado a escrever o link no seu blogue), ao Esperando Godot ou isso, à Sebenta, ao 3 Bicos, à Cibertúlia e ao The Galarzas e ao Outro Eu mas também ao Bloco de Notas, ao PTBloggers e ao Abrupto, este último por, mesmo sem querer, ligar-me por aquela coisa que lhe aparece no final da página.

Estes números não interessam nada porque eu cá não sou narcisista. Mas enquanto o sentido do Abrupto não se esgotar, o sentido do «A» Bruto também não.
|| José 6:02 PM Brutidades:

Sexta-feira, Agosto 01, 2003

LUZES DO NORTE

|| José 1:49 AM Brutidades: